sexta-feira, 11 de junho de 2010

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Millord…

Nem sei pra que ou por que escrever isso… Voltar tantas e tantas vezes ao mesmo assunto me desgasta, mas a sensação de que eu não coloquei um ponto final, mas apenas uma vírgula me consome por dentro. Não estou dizendo que você alimentou qualquer coisa. Esse sentimento é meu. Apenas meu. Egoisticamente meu. Só preciso que você me ouça, ou melhor, me leia. E que o faça de coração aberto. Preciso confessar algumas coisas, preciso fechar nosso relacionamento, transformá-lo em amizade mesmo, e ponto. E ponto final, nem reticências, nem vírgula ou exclamação, interrogação. Ponto final…

Você cresceu em mim de um jeito completamente inusitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, mas nunca, em nenhum momento, essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente… Eu quis tanto ser a tua paz. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação minha mesmo. Mas o que eu tinha, era seu… De verdade, eu era sua assim, de graça…

Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo. Mas é tarde, e eu não quero nada de volta, nem te cobrar ou te perguntar nada… Muito menos que você me responda ou algo parecido.

Quero que você saiba que você foi importante, e talvez o homem que eu mais amei, o meu melhor namorado, aquele que eu amei desarmada e me permitindo tudo, e talvez me permiti demais e acabei me perdendo em tanta libertinagem… Mas foi tudo tão gostoso e tão intenso e tão imensamente cálido… Nunca, e como poderia, me esquecerei do arcabouço dos teus braços que diversas vezes foram meu refúgio e meu único porto seguro.

E assim eu fico feliz por tudo, pelo amor, pela devoção, pelo carinho e por me permitir crescer também aí, dentro de você… Na minha memória – tão congestionada – e no meu coração – tão cheio de marcas, vasto e seco feito o Cerrado e as pinturas de Dali – você ocupa um dos lugares mais bonitos…

Sem mais, me despeço…

Inté, Millord. Beijos da sua Dona Flor."

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