terça-feira, 29 de junho de 2010
E me vejo assim: Sem saída.
Te olhar nos olhos, e poder te dar aquele abraço foi a melhor coisa que poderia me acontecer naquele dia que nasceu meio obscuro, que foi se prolongando sem Lua. Mas você apenas me abraçou, e apareceu a Lua, linda, e cheia. Ainda bem que foi ela quem apareceu, por que cá entre nós : ela é bem melhor do que o Sol.
E te vejo assim, como a Lua. As vezes escondia, me deixando no escuro. As vezes clareando minha noite, meu dia. Não pense que é ruim ser Lua, que prefere ser Sol. O Sol nos machuca os olhos quando olhamos por muito tempo. A Lua não.
Confesso que pensei em te deixar. Que quis jogar tudo pra alto. Mas como já te disse: não dá!
Fico me perguntando por que quando te vi meu coraçao disparou, e senti um grande alívio. Por que quando sentei de seu lado, senti novamente(?) Queria te agarrar, não soltar. Te prender de baixo das minhas asas, e nunca mais seixar alguém se aproximar. Não sei se elas são sufucientemente grandes para te proteger, mas se não for vou voar mais um pouquinho, me exercitar mais, e ver se elas crescem, até ser suficiente.
Olha, entende que te amo. Que se as vezes estar do seu lado vendo você sofrer é ruim, mas que estar longe será pior ainda. Não quero ser egoísta e fazer você ficar perto apenas para me fazer bem, não é isso. Te quero bem, e o que resolver está resolvido.
(Nathália Monteiro)
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Você diz pensar em ir, meu primeiro reflexo é de te impedir. Não é esse o melhor. Seria bom te ter longe. "Nem sempre o caminho mais fácil, é melhor que o da dor". Vá ! Logo estarei indo também, não pelo mesmo caminho, mas quem sabe um dia eles possam se cruzar...
Só quero me divertir, e sei que você também, mas não sabemos fazer isso juntas. Talvez seja minha culpa, fui eu que levei tudo para o lado errado, mas foi involuntário. Te peço perdão, mas você não vai aceitar.
Não quero mais sentir isso!
"O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer.." Você não me ama, apenas finge. Morde e assopra.
"Não faz sentido". Nada que tem acontecido tem feito sentido. Pra que essas longas conversas que parecem ser a melhor coisa do mundo, que parecem me completar (?) Se minutos depois parecemos estar num desencontro total. Não presto atenção em certas coisas que você julga importante, me desculpa se as vezes não quero ouvir esse tipo de coisa.
Como sinto inveja deles... Você pelo menos os deseja... À mim? NADA. Todos te querem também. E eu fico auqi, só! Esperando pelo menos um olhar falso... Já não sei mais o que é real em ti, ou o que é inventado por mim ou por você.
"Cortar o mal pela raiz", foi o que aprendi durante essa semana. Devia ter feito isso há muito tempo, mas como sempre : tenho que esperar me ferir para depois tomar um providência.
Vou te deixar! Já está resolvido, pelo menos por enquanto, enquanto não te vejo consigo manter o que está resovido. "Mesmo querendo eu não vou me enganar, eu conheço seus passo, eu vejo seus erros. Não há nada de novo, ainda somos iguais, então não me chame, não olhe para trás". Me dói muito saber que tem que ser assim. Sei que você não vai mudar, e do jeito que tá não pode ficar. Pelo menos EU não posso ficar.
Você é diferente de tudo que já vi. Parece não se importar com nada, nem niguém. Não sei viver assim.
"Meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria". Achei que bastaria para mim, que me completaria, mas não foi o que aconteceu. Achei que bastaria para você mudar, mas depois daquela noite tive mais que certeza que as coisas não são assim...
Você não sabe o que sinto por você. Não sabe o que é amar alguém mais do que à si próprio. E por isso meu amor te incomoda.
Você precisa de espaço. Não está precisando de ajuda nenhuma no momento. Então estou deixando meu time na reserva, se precisar é só chamar, caso contrário eu estarei só observando, e tentando entender como é esse tal "seu jogo"...
Será que sou a única que vê que está tudo errado? Será que sou a única insatisfeita?
*Eu só queria um abraço verdadeiro seu, será que é pedir de mais? Acho que sim. A sinceridade é sempre mais difícil para você.
(Nathália Monteiro)
domingo, 13 de junho de 2010
Carta ao Zézim
cheguei hoje de tardezinha da praia, fiquei lá uns cinco dias, completamente só (ótimo!), e encontrei tUa carta. Esses dias que tô aqui, dez, e já parece um mês, não paro de pensar em você. Tou preocupado, Zézim, e quero te falar disso. Fica quieto e ouve, ou lê, você deve estar cheio de vibrações adeliopradianas e, portantO, todo atento aos pequenos mistérios. É carta longa, vai te preparando, porque eu já me preparei por aqui com uma xícara de chá Mu, almofada sob a bunda e um maço de Galaxy, a decisão pseudo-inteligente.
Seguinte, das poucas linhas da tua carta, 12 frases terminam com ponto de interrogação. São, portanto, perguntas. Respondo a algumas. A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo? Não há que abster-se: há que comer desse banquete. Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai anda”.
Mais: já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz ”Deus é minha última esperança". Zézim, eu te quero tanto, não me ache insuportavelmente pretensioso dizendo essas coisas, mas ocê parece cabeça-dura demais. Zézim, não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.
Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Allan Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentem ente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.
Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.
Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.
Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.
É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na CultUra, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.
Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.
E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.
Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido.
Pausa.
Quanto a mim, te falava desses dias na praia. Pois olha, acordava às seis, sete da manhã, ia pra praia, corria uns quatro quilômetros, fazia exercícios, lá pelas dez voltava, ia cozinhar meu arroz. Comia, descansava um pouco, depois sentava e escrevia. Ficava exausto. Fiquei exausto. Passei os dias falando sozinho, mergulhado num texto, consegui arrancá-lo. Era um farrapo que tinha me nascido em setembro, em Sampa. Aí nasceu, sem que eu planejasse. Estava pronto na minha cabeça. Chama-se Morangos mofados, vai levar uma epígrafe de Lennon & McCartney, tô aqui com a letra de Strawberry fields forever pra traduzir. Zézim, eu acho que tá tão bom. Fiquei completamente cego enquanto escrevia, a personagem (um publicitário, ex-hippie, que cisma que tem câncer na alma, ou uma lesão no cérebro provocada por excessos de drogas, em velhos carnavais, e o sintoma — real — é um persistente gosto de morangos mofados na boca) tomou o freio nos dentes e se recusou a morrer ou a enlouquecer no fim. Tem um fim lindo, positivo, alegre. Eu fiquei besta. O fim se meteu no texto e não admitiu que eu interferisse. Tão estranho. Às vezes penso que, quando escrevo, sou apenas um canal transmissor, digamos assim, entre duas coisas totalmente alheias a mim, não sei se você entende. Um canal transmissor com um certo poder, ou capacidade, seletivo, sei lá. Hoje pela manhã não fui à praia e dei o conto por concluído, já acho que na quarta versão. Mas vou deixá-lo dormir pelo menos um mês, aí releio — porque sempre posso estar enganado, e os meus olhos de agora serem incapazes de verem certas coisas.
Aí tomei notas, muitas notas, pra outras coisas. A cabeça ferve. Que bom, Zézim, que bom, a coisa não morreu, e é só isso que eu quero, vou pedir demissão de todos os empregos pela vida afora quando sentir que isso, a literatura, que é só o que tenho, estiver sendo ameaçada como estava, na Nova.
E li. Descobri que ADORO DALTON TREVISAN. Menino, fiquei dando gritos enquanto lia A faca no coração, tem uns contos incríveis, e tão absolutamente lapidados, reduzidos ao essencial cintilante, sobretudo um, chamado "Mulher em chamas". Li quase todo o Ivan Ângelo, também gosto muito, principalmente de O verdadeiro filho da puta, mas aí o conto-título começou a me dar sono e parei. Mas ele tem um texto, ah se tem. E como. Mas o melhor que li nesses dias não foi ficção. Foi um pequeno artigo de Nirlando Beirão na última IstoÉ (do dia 19 de dezembro, please, leia), chamado "O recomeço do sonho". Li várias vezes. Na primeira, chorei de pura emoção - porque ele reabilita todas as vivências que eu tive nesta década. Claro que ele fala de uma geração inteira, mas daí saquei, meu Deus, como sou típico, como sou estereótipo da minha geração. Termina com uma alegria total: reinstaurando o sonho. É lindo demais. É atrevido demais. É novo, sadio. Deu uma luz na minha cabeça, sabe quando a coisa te ilumina? Assim como se ele formulasse o que eu, confusamente, estava apenas tateando. Leia, me digao que acha. Eu não me segurei e escrevi uma carta a ele dizendo isso. Não sou amigo dele, só conhecido, mas acho que a gente deve dizer.
Escrevendo, eu falo pra caralho, não é?
Aqui em casa tá bom. É sempre um grande astral, não adianta eu criticar. O astral ótimo deles independe da opinião que eu possa ter a respeito, não é fantástico? A casa tá meio em obras, Nair mandou construir uma espécie de jardim de inverno nos fundos, vai ligar com a sala. Hoje estava pUta porque o Felipe não vai mais fazer vestibular: foi reprovado novamente no 3º colegial. Minha irmã Cláudia ganhou uma Caloi 10 de Natal do noivo (Jorge, lembra?), e eu me apossei dela e hoje mesmo dei voltas incríveis pelo Menino Deus(?). Márcia tá bonita, mais adultinha, assim com um ar meio da Mila. Zaél cozinhando, hoje faz arroz com passas para o jantar.
Povos outros, nem vi. Soube que A comunidade está em cartaz ainda e tenho granas pra receber. Amanhã acho que vou lá.
Tô tão só, Zézim. Tão eu-eu-comigo, porque o meu eu com a família é meio de raspão. Tá bom assim, não tenho mais medo nenhum de nenhuma emoção ou fantasia minha, sabe como? Os dias de solidão total na praia foram principalmente sadios. Ocê viu a Nova? Tá lá o seu Chico, tartamudeante, e uma foto muito engraçada de toda a redação — eu com cara de "não me comprometam, não tenho nada a ver com isso". Dê uma olhada. Falar nisso, Juan passou por aqui, eu tava na praia, falou com Nair por telefone, estava descendo de um ônibus e subindo noUtro. Deixou dito que volta dia três de janeiro ou fevereiro, Nair não lembra, pra ficar uns dias. Ficará? E nada acontecerá. Uma vez me disseram que eu jamais amaria dum jeito que "desse certo", caso contrário deixaria de escrever. Pode ser. Pequenas magias. Quando terminei Morangos mofados, escrevi embaixo, sem querer, "criação é coisa sagrada”. É mais ou menos o que diz o Chico no fim daquela matéria. É misterioso, sagrado, maravilhoso.
Zézim, me dê notícias, muitas, e rápido. Eu não pensei que ia sentir tanta falta docê. Não sei quanto tempo ainda fico, mas vou ficando. Quero escrever mais, voltar à praia, fazer os documentos todos. Até pensei: mais adiante, quando já estivesse chegando a hora de eu voltar, você não queria vir? A gente faria o mesmo esquema de novo, voltaríamos juntos. A família te ama perdidamente, hoje pintaram até uns salseirinhos rápidos porque todo mundo queria ler a matéria do Chico ao mesmo tempo.
Let me take you down
cause I’m going to strawberry fields
nothing is real, and nothing to get hung about
strawberry fields forever
strawberry fields forever
strawberry fields forever
Isso é o que te desejo na nova década. Zézim, vamos lá. Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. Let me take you: I’m going to strawberry fields.
Me conta da Adélia.
E te cuida, por favor, te cuida bem. Qualquer poço mais escuro, disque 0512-33-41-97. Eu posso pelo menos ouvir. Não leve a mal alguma dureza dita. É porque te quero claro. Citando Arantes, pra terminar: "Eu quero te ver com saúde I sempre de bom humor I e de boa vontade".
Um beijo do
Caio
sábado, 12 de junho de 2010
C.F.A.
"Das minhas homossexualidades, esse pânico lento e uma solidão medonha. A hora é tão grave."
"a gente enfeita o cotidiano - tudo se ajeita. Menos a morte."
"Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.(...)
p.s.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E amanhã tem sol. "
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim
(...)
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz"
Fiz uma faxina hojee! Nossa, joguei muita coisa fora. Achei muita coisa que me fez lembrar o passado. Coisas que me fizeram sorrir, outras nem tanto. Achei cartas que nem lembrava da existência, e após relê-las me transportaram para um tempo maravilhoso, onde eu só queria saber de "experimentar". Achei outras cartas, bilhetes, que nem tive coragem de abrir, estes me lembram uma fase boa, mas que terminou de um jeito ruim, de um jeito que não deveria ter terminado. Estas cartas me lembram pessoas especiais, pessoas que nem sabem que relmente foram/são especiais.
Uma dessas pessoas é um ex namorada, que gostei muito, mas infelizmente não nos conhecemos no momento certo. Nessa época eu era diferente, não sabia o que era respeito, e para qualquer relação dar certo o primordial é o tal do respeito. Ela não sabe o quanto foi importante, acredita que tudo que lhe disse um dia era mentira, mas não era. Não mesmo. Não costumo mentir sobre meus sentimentos, não acho certo iludir as pessoas, pois essas, como nós, são ingenuas, e acreditam. Eu queria, hoje, poder ligar para ela e dizer tudo isso, dizer o quanto é especial para mim, dizer que tudo que disse era verdade, mas que com o tempo passou, como tudo que existe. Eu a amei muito, mas não era o amor, dito, puro, que nos faz mudar, que nos faz perder o interesse por qualquer outra pessoa que apareça na nossa frente; era só amor. Mas não posso procurá-la, ela não me ama mais, não quer nem ouvir meu nome. Odeio isso. Mas nem tudo é como a gente quer, não é mesmo? Por isso espero, que um dia nos falemos de novo, ou que ela entre aqui, leia tudo isso, e perceba que é para ela.
"- Não é saudade, porque para mim a vida é dinâmica e nunca lamento o que se perdeu - mas é sem dúvida uma sensação muito clara de que a vida escorre talvez rápida demais e, a cada momento, tudo se perde."
Hoje mudei, é estranho, sei que é. Tem gente que não acredita, não me importo. Eu sei que mudei, e isso que importa. Sei o que significa Amor, mas estou falando de Amor Puro, aquele que a gente não precisa nem beijar a pessoa amada pra saber que realmente a ama, e se gosta do seu beijo. Você lembra, mesmo que muito tempo sem, exatamente do beijo dela, de cada movimento que a língua dela fez, de cada coisa que passou pela sua cabeça quando se beijaram- naquele dia que estavam um pouco lúcidas de mais. Eu acho tão estranho isso. As vezes tenho medo de tudo isso, tudo que sinto, ser uma mentira, uma ilusão da minha cabeça. Juro que tem horas que rezo pra realmente ser. Por que você não tem noção do quanto é ruim não desejar outras pessoas, de alguém chegar bem pertinho do seu rosto, e você não ter coragem de beijar. Como já disse antes, não sei por quanto tempo vou ficar assim, mas agora estou assim. É bom estar assim, mas ao mesmo tempo tenho medo do momento em que isso vai mudar, por que eu sei que vai. Tenho medo de que você possa não entender que as coisas mudam, e que isso não significa que elas não existiram. Medo que ache que tudo que eu disse era mentira. Não é. É tudo verdade, pelo menos no momento em que saem da minha mente, passam pela minha boca e chegam aos seus ouvidos.
"Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco... "
(Nathália Monteiro)
(C.F.A.)
Caio Fernando Abreu & Cazuza.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Quanto tempo demora? - perguntou ele.
- Não sei. Um pouco.
Sohrab deu de ombros e voltou a sorrir, desta vez era um sorriso mais largo.
- Não tem importância. Posso esperar. É que nem maçã ácida.
- Maçã ácida?
- Um dia, quando eu era bem pequenininho mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs.
O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini
Normais levantam, reclamam, vestem, irritam-se, xingam e cumprimentam sempre da mesma forma. Dão as mesmas respostas para os mesmos problemas. Tem o mesmo humor no serviço e em casa. Petrificam sorrisos no rosto, dão presentes sempre nas mesmas datas. Enfim, tem uma vida estafante e previsível. Fonte para vazios e enfados. Normais não surpreendem, não encantam. Deus, livra-me dos normais.
Augusto Cury
Millord…
Nem sei pra que ou por que escrever isso… Voltar tantas e tantas vezes ao mesmo assunto me desgasta, mas a sensação de que eu não coloquei um ponto final, mas apenas uma vírgula me consome por dentro. Não estou dizendo que você alimentou qualquer coisa. Esse sentimento é meu. Apenas meu. Egoisticamente meu. Só preciso que você me ouça, ou melhor, me leia. E que o faça de coração aberto. Preciso confessar algumas coisas, preciso fechar nosso relacionamento, transformá-lo em amizade mesmo, e ponto. E ponto final, nem reticências, nem vírgula ou exclamação, interrogação. Ponto final…
Você cresceu em mim de um jeito completamente inusitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, mas nunca, em nenhum momento, essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente… Eu quis tanto ser a tua paz. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação minha mesmo. Mas o que eu tinha, era seu… De verdade, eu era sua assim, de graça…
Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo. Mas é tarde, e eu não quero nada de volta, nem te cobrar ou te perguntar nada… Muito menos que você me responda ou algo parecido.
Quero que você saiba que você foi importante, e talvez o homem que eu mais amei, o meu melhor namorado, aquele que eu amei desarmada e me permitindo tudo, e talvez me permiti demais e acabei me perdendo em tanta libertinagem… Mas foi tudo tão gostoso e tão intenso e tão imensamente cálido… Nunca, e como poderia, me esquecerei do arcabouço dos teus braços que diversas vezes foram meu refúgio e meu único porto seguro.
E assim eu fico feliz por tudo, pelo amor, pela devoção, pelo carinho e por me permitir crescer também aí, dentro de você… Na minha memória – tão congestionada – e no meu coração – tão cheio de marcas, vasto e seco feito o Cerrado e as pinturas de Dali – você ocupa um dos lugares mais bonitos…
Sem mais, me despeço…
Inté, Millord. Beijos da sua Dona Flor."Para uma avenca partindo
sim, sei, eu vou escrever, não, eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malar e bolsas, fica tranqüila, esse velho não vai e incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, “…” eu preciso de muito silêncio e muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.
Caio Fernando de Abreu
"Eu sempre acho que cansei de ti, de mim, mas ai vem o amor e revigora...e você vai chegando como quem não quer nada, e me confunde, profundamente."
E pensa : " Como pude cair assim nesse fundo de poço? Quando foi que me desequilibrei?".
Mas derrepente parece que tudo passa, que aquilo era uma ilusão, que você tinha inventado apenas para se distrair nesses dias monótonos. E logo depois vem tudo à tona novamente...
É assim, esse é o medo de se ferir. É melhor fingir que nada está acontecendo, é sempre a melhor solução. Mesmo quando não é mais possível, quando todo mundo já está vendo.
Não sei, acho que é apenas medo. Medo de se confundir, medo de se iludir, medo de iludir o outro, medo de deixo-lo sozinho, medo de ser mais um, medo de sofrer, medo de ser feliz- sim de ser feliz- , medo de dar tudo errado, medo, medo, medo!
As vezes acho que você apenas me quer em suas mãos, me quer como mais um. Mas não quero isso. Aceito estar em suas mãos, mas necessito de algo nas minhas também. Você não quer as coisas dessa maneira, quer estar solto. Assim não chegamos à lugar algum. E o que fazer? Seguir em frente? Leva-lo junto comigo?Deixa-lo para trás? Não sei. Ainda estou tentando descobrir. Por isso deixo tudo como está. Sinta-se livre, voe por aí, mas saiba que estarei aqui, à sua espera. Não sei por quanto tempo, não sei se para sempre - até por que não acredito nessa expressão-, mas por enquanto eu estarei.
(Nathália Monteiro)




