segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"Daí, penso também outra coisa de gente grande: não adianta muito você
se enfeitar todo pra uma pessoa gostar mais de você. Porque, se ela
gostar, vai gostar de qualquer jeito, do jeito que você é mesmo, sem
brilhos falsos."


“Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem
não tem o que perder. Como quem não aposta. Como quem brinca somente.
Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça. Mergulha no que te dá
vontade.
Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir.
Sonha que é de graça. Não espere. Promessas vão e vem. Planos, se
desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só
existe pra quem quer.
Sonhos se realizam, ou não. Os olhos se fecham um
dia, pra sempre
. E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz
sorrir.
E só”.

C.F.A.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"É lindo demais. É atrevido demais. É novo, sadio. Deu uma luz na minha cabeça, sabe quando a coisa te ilumina?"

terça-feira, 30 de novembro de 2010

'Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink ..

“Aumente o volume. Ou desligue para sempre, você me entende?”
"...Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo, porque não agüenta o fato de estar sozinho.''
"Fazia muito tempo que eu não tinha vontade de sorrir para nada nem para ninguém, então era extraordinário que ele conseguisse perturbar assim os cantos de meus lábios."

terça-feira, 12 de outubro de 2010


"...Em todo caso, deseje o mal de volta... Não por maldade, só para ver se a pessoa é forte como você."
"E sendo assim preciso te dizer: mudei, embora continue o mesmo. Sei que você compreende."

C.F.A.


"Porque te atreves, se não podemos ser amigos simplesmente-cantarolou distraído."

Meu nome é Caio F. Moro no segundo andar, mas nunca encontrei você na escada

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa?
(Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.)
Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.


(Caio Fernando Abreu - Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)
"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."

C.F.A.
"Aquilo que eu supunha fosse o caminho do inferno, está juncado de anjos.Aquilo que suja treva parecia, guarda seu fio de luz. Nesse fio estreito, esticado feito corda bamba, nos equilibramos todos. Sombrinha erguida bem alto, pé ante pé, bailarinos destemidos do fim deste milênio pairando sobre o abismo.
Lá embaixo, uma rede de asas ampara nossa queda."

Caio Fernando Abreu- Arcanjo que encarnou no planeta Terra entre 1948 e 1996 com a missão de traduzir e confortar a alma dos inadequados..(nós)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

“Antônio não parecia prestes a dizer nada. Gabriela não diria; se pudesse escolher, teria ficado calada, mas lhe escapou: “Meu coração tá ferido de amar errado". De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco.”



Caio Fernando Abreu

“Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.”

Rubem Alves

domingo, 19 de setembro de 2010

“Porque é tão mais fácil aturar a vida sabendo que tem você. Agora sem você, meu amigo, a coisa é feia. Realmente feia.”
- Caio Fernando Abreu.
''Aos outros eu conheci por ocioso acaso, a ti vim encontrar porque era preciso''
“O meu dia só existe porque você existe dentro dele. Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas. E se você vem, fica tudo maior, mais amplo, sei lá, mas é como se eu existisse de um jeito mais completo…”
- Caio Fernando Abreu.
E está chegando a hora de partimos.
Eu tento resistir, te puxo pelo braço.
E você que sempre pareceu querer apressar esse momento, agora, parece ter mudado de ideia.
Fica cada vez mais a vontade à minha presença.
Me faz querer disistir de ir.
Mas ela me puxa para o lado oposto.
Me sinto perdida!
E a gente ali, formando uma corrente a ponto de arrebentar.
Apesar de tudo isso, lá no fundo, sabemos que não adianta lutar, nem para ficar nem para partir, pois não depende das nossas vontades.


O medo de pelo menos um dos elos quebrar está aqui, e é o que mais me atormenta.


*Nathália Monteiro.

sábado, 18 de setembro de 2010

"Repito sempre: sossega, sossega - o amor não é para o teu bico."

"(...) Estranho, mas é sempre como se houvesse por trás do livre-arbítrio um roteiro fixo, pré-determinado, que não pode ser violado."

”Você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off”

E esse vazio que ninguém dá jeito? Você guarda no bolso, olha o céu, suspira, vai a um cinema, essas coisas. E tudo, e tudo, e tudo."

Porque chega uma hora em que você tem que escolher a vida. Eu talvez não saiba bem ainda o que isso significa, mas é claro para mim que a hora desta escolha é agora, está acontecendo.

"Tenho medo de te ferir. Mas acho que precisamos 'falar seriamente'. Desculpe, mas acho que sim, sem fantasia, sem comicidade. Me pergunto sempre se você não teceu em volta de mim uma porção de coisas irreais - se você não está projetando em mim qualquer coisa como um príncipe encantado - esperando a minha volta como quem espera a salvação."

"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora... Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço."

"E me dá uma saudade irracional de você."

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "

"Mania de esperar que as coisas sejam dum jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre."

"Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é?"


Uma história confusa

Uma primeira versão desta história foi publicada em 1974, na “Revista ZH”, de Zero Hora, e escrita provavelmente no mesmo ano, em Porto Alegre. Esta versão, a definitiva, foi totalmente reescrita. Creio que ganhou, embora pareça paradoxal, mais ambigüidade e mais clareza.
Caio F.

Era quinta-feira. Como nas últimas quintas, ele estava muito nervoso e trazia um envelope na mão. Jogou o envelope em cima da mesa, ficou andando pelo quarto.
- Outra carta?- perguntei.
Não respondeu. Só fez um movimento impaciente com os ombros, que podia significar muitas coisas. Mas não disse nada. Eu então abri e li as palavras datilografadas com cuidado:
“Te vi por detrás das rosas e havia nos teus olhos uma ânsia muda. Algo assim como se quisesses falar comigo. Juro que na saída tentei me aproximar. Mas tive medo. Sei que ainda vamos ser amigos. Não quero forçar nada. Hoje é domingo pouco antes do almoço. A casa está vazia. Eu gostaria de ter escrito logo depois daquela noite. É incrível, mas há duas décadas, nesse mesmo dia da semana, nessa mesma hora, eu estava nascendo.”- É bonito – eu arrisquei. – Um pouco juvenil, talvez. Mas bonito. Afinal, a adolescência é sempre bonita.
- Ele tem vinte anos.
- Ele? Como é que você sabe que é ele e não ela?
- Eu acho, eu sinto. Uma mulher não escreveria essas coisas. Não sei, o jeito de escrever, alguma coisa.
- Pode ser – eu disse.
- E tinha uma outra carta, acho que não mostrei a você. Ele dizia que estava cansado, isso mesmo, cansado e não cansada.
- Não lembro – menti.- E ele pode estar mentindo. Essa data, por exemplo, essa data pode ser inventada.
Ele evitou meus olhos ao contar:
- Fui consultar um astrólogo. Ele nasceu a 22 de setembro de 1954. Entre mais ou menos dez e meio-dia. É de Virgem, o astrólogo disse, do último dia de Virgem. Pelos cálculos, o ascendente deve ser Escorpião.
- Ascendente?
- É o signo que. – Ele levantou os olhos, irritado. – Escuta, você não vai querer agora que eu te dê uma aula de astrologia, vai?
- Não, não. Só queria saber o que quer dizer isso.
- Quer dizer que ele deve ser inteligente. Muito inteligente. E secreto, misterioso, intenso. Só pelas cartas qualquer um percebe que ele tem certa… certa estrutura. As cartas são bem escritas, a gramática é sempre correta.
- É verdade – eu disse. – Corretíssima.
Ele sentou na beira da cama. E afundou no travesseiro:
- Não agüento mais. Isso tem quase dois meses. Preciso saber quem é essa pessoa.
Sentado aos pés da cama, eu não sabia o que dizer.
- Ele sabe tudo sobre mim, os meus horários, tudo. Às vezes fala das pessoas que conheço, de lugares onde vou. Deve estar sempre por perto, deve conhecer muita gente que eu conheço.
- Você está muito agitado.
- Claro. Como é que você queria que eu estivesse? Cada vez que recebo uma carta dessas fico assim. Me dá uma sensação estranha, saio na rua com a impressão que estou sendo observado. Alguém que eu não sei quem é acompanha todos os meus passos.
- Com amor – eu disse.
Ele acendeu um cigarro e ficou seguindo a fumaça até o teto:
- Amor? Não sei. É meio paranóico. Parece uma coisa para enlouquecer a gente devagar.
- Ou para fazer que você se interesse por ele.
Levantou-se de repente e debruçou-se na mesa. De costas, eu só podia ver seus ombros curvos e as duas mãos abertas segurando a cabeça.
- Fico imaginando as histórias mais incríveis. Às vezes acho que é alguém querendo divertir-se comigo.
- Não. – E disse pela segunda vez: – Isso é amor.
- Será? Tem coisas, tem coisas que ele escreve que parecem. Não sei, parecem verdade, entende? Ele me toca, mexe comigo. Talvez eu esteja assim todo lisonjeado porque alguém parece prestar tanta atenção em mim.
- Isso é amor – eu repeti pela terceira vez.
Ele caminhou até a janela. Percebi que olhava as folhas das palmeiras no meio da rua, remexidas pelo vento norte.
- Às vezes tenho vontade de bancar o detetive. Mas as pistas são muito tênues. Selos comuns, envelope comum, cada dia um carimbo de uma agência diferente. E esse tipo de máquina é o mais comum que existe.
- Lettera 22.
Ele jogou a ponta do cigarro pela janela, voltou-se de repente e me olhou nos olhos:
- Como é que você sabe?
- Bom, qualquer um que lida com máquina de escrever reconhece logo. É inconfundível – eu afirmei. E mudei de assunto: – Mas não deixa de ser bonito.
- Bonito e infernal.
- E antigo.
- Cartas anônimas. Parece coisa de romance do século passado. Romance epistolar. Platônico. – Suspirou fundo. – Mas eu preciso saber logo quem é esse rapaz. Nunca ninguém se interessou tanto por mim.
Tornou a sentar na mesa, acendeu outro cigarro. Estendi o cinzeiro para ele:
- Você sempre fuma demais nas quintas-feiras.
Ele riu:
- Agora nas quartas também. Fico pensando se no dia seguinte vai chegar outra carta. – Tragou fundo, olhos fechados. E acrescentou, soltando fumaça: – Também tenho escrito para ele.
- O quê?
- Tenho escrito para ele, escondido.
- Você não contou nada para Martha?
- Está louco? Você sabe como ela é ciumenta, contei só para você. Eu tenho que me esconder para escrever. Trancado no escritório, fico pensando que deve haver uma espécie assim de espírito do que eu estou escrevendo que sai pela janela, eu deixo sempre a janela aberta quando escrevo para ele, depois voa sobre os telhados e atravessa as ruas da cidade e as paredes para chegar até onde ele está, percebe?
- E o que você faz com as cartas que escreve?
- Guardo. A sete chaves. Um dia talvez possa entregá-las pessoalmente.
Eu também acendi um cigarro.
- E… o que você diz nessas cartas?
- Eu peço socorro. Eu digo que o meu casamento é um horror, já três anos desse horror que não acaba. Sabe que agora a Martha deu pra me chamar de fofo? Tem coisa mais odiosa? No domingo me pede uma parte do jornal e fica dizendo “olha só, fofo, precisamos aproveitar essa liquidação aqui, fofo, vai só até o dia 15, fofo”.- Mas a Martha era uma mulher tão… especial.
- Antes de casar. Depois que casa, toda mulher vira débil mental. Bem fez você que não entrou nessa.
Eu apaguei o cigarro:
- E o que mais você diz nessas cartas?
Ele curvou-se outra vez sobre a mesa, uma das mãos apoiava a cabeça, a outra passava lenta no tampo de madeira. Como uma carícia:
- Digo que às vezes eu tenho vontade de ter outra vez um amigo como aqueles que a gente tinha na adolescência. Aqueles pra quem você contava tudo, absolutamente tudo. E que no fim você nem sabe mais se é amigo ou irmão.
- Ou amante.
- Ou amante – ele repetiu. Depois jogou-se outra vez na cama, tirou uma folha amassada do bolso e leu: – Eu digo que estou disposto a qualquer coisa, eu digo assim: “Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto”.Dobrou a folha e tornou a enfiá-la no bolso, ainda mais amassada.
Ficamos nos olhando. Eu não sabia o que dizer. Ele afundou novamente na cama, virou-se para a parede. Fiquei ouvindo:
- Falo para você um pouco como se fosse para ele. Se você pudesse me ajudar, se ele pudesse me ajudar. É tão complicado. Saio na rua e fico olhando todos os meninos de vinte anos, como se cada um pudesse ser ele. Ando sentindo umas coisas que não entendo direito. Não gosto de não entender o que sinto. Não gosto de lidar com o que não conheço. Eu nunca vivi nada assim.
Um vento mais forte abriu a janela, fazendo voar as cinzas do cinzeiro sobre a mesa. Ele parecia menor, encolhido sobre a cama. Eu continuei ouvindo:
- Já tenho trinta e quatro anos, não posso sentir as coisas como se tivesse quinze. Você sabe, nós temos quase a mesma idade. Quanto você tem agora?
- Trinta e três – eu disse.
- Pois é, você sabe bem. A gente não tem mais idade pra ficar com esses delírios.
- Você acha que não? – eu perguntei. Mas ele continuou a falar sem ouvir.
- É tão estranho de repente saber que tem alguém pensando em mim o tempo todo. Alguém que eu não conheço. E que tem vinte anos. Fico pensando umas coisa loucas, não consigo parar.
- Que coisas – eu perguntei em voz baixa -, que coisas você pensa?
Ele passou a mão pela parede branca:
- Deitar do lado dele. Sem roupa. Abraçá-lo com força. Beijá-lo. Na boca. – Crispou a mão na parede e puxou-a para junto do corpo, para o meio das pernas. – Deve ser o vento norte, esse excesso de luz, a primavera chegando, a lua quase cheia. Não sei, desculpe. Eu estou muito confuso.

Ficou calado de repente. Olhava pela janela como se estivesse vendo algo, além das palmeiras, que eu não conseguia ver. Eu continuava sem saber o que dizer. Cheguei a chegar mais perto para estender a mão e tocar nos seus cabelos desgrenhados. E se não tivesse só vinte anos, esse rapaz, pensei em perguntar, você continuaria a gostar dele? Achei melhor não dizer nada. Parei minha mão no ar, depois puxei-a de volta para pegar outro cigarro. Mas continuei perto dele. Mais perto, bem perto. Era outra quinta-feira, esta de setembro, e desde o início de agosto nós andávamos os dois muito confusos.


Caio Fernado Abreu

”E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer”

"...tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado..."

' Eu queria que não fosse assim, que não tivesse sido assim. Mas não consegui evitar. A semente recusava-se a vir à tona, eu nem sempre tinha tempo ou vontade de regá-la, e não chovia mais – foi isso que aconteceu '

"Seja como for, continuo gostando muito de você - da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade..."

'(...) e a gente esquece sabendo que está esquecendo.'

"Se hoje o sol sair, eu te prometo o céu"

"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva".

"sempre há alguma coisa que falta. guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa"

"Te mando retalhos de amor"

"Não é verdade que as pessoas se repitam. O que se repetem são as situações"

"Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu."

" Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram (...) "

"Ontem por incrível que pareça todos os lugares que pisei eu te procurei. Teus rastros ficaram por lá. O balançar de teus cabelos e esse teu jeito meio atacado de ser. Fiquei feliz em poder sentir tua falta, - a falta mostra o quão necessitamos de algo/alguém. É assim o nosso ciclo. "

"De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: "meu Deus, mas como você me dói de vez em quando..."

"Como é incômodo estar diante de uma pessoa com quem se trocou emoção intensa e depois cruzar com ele na rua e dizer apenas: tudo bem?"

"Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra.
Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa (...)
...quero adoçar tua vida"

"Ter provado outra vez desta solidão acho que me fez melhor. Ou mais humano, ou dolorido. Quem sabe?"

"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim?"

' Fica? Passa? Vai? Volta? (...) Não sei nada, mas foi lindo. '

" Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso."

"É dificil aprisionar os que têm asas"

" Não é que pensei outra coisa de gente grande? Esta é assim: tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo. E existe muito pouco. "

"...Afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome..."

"Cuidado com as ilusões, mocinha, profundas e enganosas feito o mar."

"Proibido (...) passear sentimentos desesperados de cabeça para baixo, proibido emoções cálidas, angústias fúteis, fantasias mórbidas e memórias inúteis."

"O tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato"

sso é amor.
— Será? Tem coisas, tem coisas que ele escreve que parecem. Não sei, parecem verdade, entende? Ele me toca, mexe comigo. Talvez eu esteja assim todo lisonjeado porque alguém parece prestar tanta atenção em mim".

sábado, 7 de agosto de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010






"Vence quem passa por essa vida rindo. E se o preço que se paga por ser um pouco feliz é ser um pouco idiota, dane-se."

(Tati Bernardi)
"Tô achando minha dor duvidosa, porque agora, por exemplo, não tenho dor nenhuma. E ele riu e disse que também não tinha dor nenhuma naquele momento. E quando ele riu, eu percebi. Eu percebi que eu estava na merda."

"Todo mundo é um pouco triste e um pouco louco e já estava muito tarde. "

"E de como ele fala de coisas terríveis quase sorrindo."

"...eu adoro isso porque é um tipo de sexo que se faz que não enlouquece e nunca sacia. E ele ficou melhor e foi embora. E eu fiquei melhor e voltei. Não quero mais morrer, eu só quero meu livro de volta. Viver é bom demais. "

(Tati Bernardi)

O amor

Semana passada liguei pro meu melhor amigo e convidei para um cinema. A gente não se falava desde o ano novo, quando tudo deu errado pro nosso lado. De tempos em tempos sumimos, falamos umas coisas horríveis de quem se conhece demais. Ele topou desde que fosse daqui pra frente, preguiça de conversar da briga e tal. E fomos. Cheguei antes, comprei. Ele chegou depois, comprou água. Porque eu comprei os ingressos, ele comprou também uns doces e disse que pagaria o estacionamento. Porque ele pagaria o estacionamento, eu disse que daria a carona da volta. E com meu coração tão calmo eu voltei a sentir o soninho de sofá de casa com manta que sinto ao lado dele. A gente não se beija nem nada, mas quando vai ver pegou na mão um do outro de tanto que se gosta e se cuida e se sabe. Já tivemos nossos tempos de transar e passar nervoso e aquela coisa toda de quem ama prematuramente. Mas evoluímos para esse amor que nem sei explicar. Ele me conta das meninas, eu conto dos caras. Eu acho engraçado quando ele fala “ah, enjoei, ela era meio sem assunto” e olha pra mim com saudade. Ele também ri quando eu digo “ah, ele não entendeu nada” e olho pra ele sabendo que ele também não entende, mas pelo menos não vai embora. Ou vai mas sempre volta. Não temos ciúmes e nem posse porque somos pra sempre. Ainda que ele case, more na Bósnia, são quase quinze anos. Somos pra sempre. Ele conta do filme que tá fazendo, eu do livro. Os mesmos há mil anos. Contar é sem pressa de acabar. Se ele me corta é como se a frase que eu fosse falar fosse mesmo dele. É um exibicionismo orgânico, como se meu silêncio pudesse continuar me vendendo como uma boa pessoa. São quinze anos. É isso. Ele me viu de cabelo amarelo enrolado. Eu lembro dele gordinho e mais baixo. Ele sempre comprou meus testes de gravidez, mesmo a suspeita nunca sendo nossa. Eu já fui bem bonita numa festa só porque ele queria me fazer de namorada peituda pra provocar a ex mulher. Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito. E eu sofro porque com pouco tempo não consigo ser melhor que o muito tempo. E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores porque estrago antes. Mas meu melhor amigo é meu único amor. O único que consegui. Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo. E ele vai comigo na pizzaria e todos meus amigos novos morrem de rir porque ele é naturalmente engraçado e gente boa e sabe todos os assuntos do mundo. E todo mundo adora meu melhor amigo. E eu amo ele. E sempre acabamos suspirando aliviados "alguém é bobo como eu, alguém tem esse humor" e mais uma vez rimos da piada que inventamos, do pai que chega pro filho e fala: sua mãe não é sua mãe, eu transei com outra". E esse é meu presente dessa fase tão terrível de gente indo embora. Quem tem que ficar, fica.

(Tati Bernardi)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.
Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.
...Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu morte para o que nunca nasceu....

....Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza....


....sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, em não dar conta, em não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez, sentir apenas a falta de lamber suas coxas, a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras. Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria."

Tati Bernardi
"Você já percebeu como suas alegrias e tristezas estão sempre ligadas à ela?"

Anne Carolyne.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

MULHER DE FRASES

Não sei quanto a vocês, mas amor pra mim ter que ter cheiro. Gosto. E FRASES. Não adianta dizer que um olhar vale mil palavras, que o silêncio diz tudo. Não, não e não. Eu quero sentir, tocar, cheirar, provar, morder e OUVIR. LER. Então, por favor, DIGA. Qualquer coisa que seja, qualquer frase, qualquer palavra perdida, FALE. Ou ESCREVA. Mas por favor, ETERNIZE. Palavras foram criadas para fotografar o coração. Então por favor, não poupe o mundo da sua essência. Click. Palavras são simples. Precisas. Lindas em sua pureza de ser dita. Ben(m) dita! Não precisa fazer pose. Deixe acontecer. Se a garganta der nó e a sílaba não sair, ESCREVA. Caneta e lápis na mão, SEJA. Mostre-se. Eu não me apaixono por pessoas. Eu me apaixono por frases. Me alimento de palavras. Verdades, incertezas, medos, doçuras e pequenas mentiras. Não importa. Eu quero provar seus verbos. Seus sujeitos. Seus objetos. Eu quero te ler. Te sublinhar. Te copiar. Te re-ler. Então, por favor, escreva-se. Inscreva-se. Eu quero te pregar num post-it pra nunca mais te esquecer. Quer saber? O que me encanta no mundo são letras, vogais, combinações inexatas entre o que quer dizer e o que se diz. Não precisa dizer bonito. Muito menos escrever bonito. Palavra vira poesia quando dita com a alma. Por isso, solte-se. Rabisque-se. Eu não vou analisar suas palavras. Eu vou apenas senti-las... Sentir você em cada letra escrita, em cada ponto, em cada frase desenhada. Por isso, permita-me. Eu não quero gramática, dicionário, frases de efeito, plágios descarados pra preencher vazio. Eu quero você. Você e suas palavras. Você e sua letra torta. Em qualquer frase, qualquer rima, qualquer asterisco no pé da página. Mas que seja você. Que brote do silêncio da sua alma bonita e se transforme em letras: palavras para eternizar a poesia que é seu coração!

P.S: Eu sou mulher de frases. Ainda bem que você tem palavra.

Fernanda Mello
"Pode pensar o que quiser, ainda acho a reciprocidade uma das coisas mais gostosas - e divertidas - desse mundo."

"Vem cá. Me dá a sua mão. Coloca sobre meu peito. Agora escuta. Olha o tumtumtum. Você pode me ouvir? É pra você, seu besta! É por você que meu coração bate! (Ele, que de tanto bater, parou sem querer outro dia). Posso confessar? Jura que vai acreditar em mim? A verdade é que estou de saco cheio de histórias românticas. Meus casos de amor já não têm a menor graça. Será que você me entende? Eu não escrevo porque vivo amores cinematográficos e quero contar pro mundo. Não!! Eu escrevo porque eu sou uma maluca. Minha vida é real demais. Um filme B pra ser mais exata. E eu não acho graça em amores sem final feliz. Por isso, invento. Pro sangue correr pelas veias, pra lágrima cair dos olhos, pra adrenalina sacudir o corpo. Eu invento amores pra ver se eu acredito em mim. (Acredita?). Mas hoje eu estou cansada. Estou cansada de mentiras, de realidade, de telefone mudo e de músicas sem letra. Estou cansada de escrever sobre o meio ambiente, redigir manifestos contra o uso de peles de animais em casacos, falar sobre o que será a moda nas ruas. Hoje não! Uma hora eu escrevo sobre isso, sei lá. Mas deixa primeiro eu salvar a MINHA pele. Me deixa ser egoísta. Me deixa fazer você entender que eu gosto de mim e quero ser preservada. Me deixa de fora de suas mentiras e dessa conversa fiada. Eu sou uma espécie quase em extinção: eu acredito nas pessoas. E eu quase acredito em você. Não precisa gostar de mim se não quiser. Mas não me faça acreditar que é amor, caso seja apenas derivado. Não me diga nada. (Ou me diga tudo). Não me olhe assim, você diz tanta coisa com um olhar. E olhar mente, eu sei! E eu sei por que aprendi. Também sei mentir das formas mais perversas e doces possíveis. (Sabia?) Mas meu coração está rouco agora. GRAVE! Você percebe? Escuta só como ele bate. O tumtumtum não é mais o mesmo. Não quero dizer que o tempo passou, que você passou, que a ilusão acabou, apesar de tudo ser um pouco verdade. O problema não é esse. Eu não me contento com pouco. (Não mais). Eu tenho MUITO dentro de mim e não estou a fim de dar sem receber nada em troca. Essa coisa bonita de dar sem receber funciona muito bem em rezas, histórias de santos e demais evoluídos do planeta. Mas eu não moro em igreja, não sou santa, não evoluí até esse ponto e só vou te dar se você me der também. Pode rir, é isso mesmo. Não vou fingir ser o que não sou. Quer me tratar bem? Amém! Se não quiser, vá com Deus, não me procure mais! Amor incondicional é muito bonito. Mas eu só tenho por mim, pela minha família. E pelos meus gatos. De resto, sou igual bicho. Me morde e eu te como. Com as minhas palavras. Que são meu maior mel. E meu melhor veneno."

[Fernanda Mello]

Mas sou atrevida por natureza e adepta da frase de Nietzsche: "Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia". Ai, Nietzsche você sempre soube! É isso mesmo. Eu odeio e assino embaixo. E odeio com todas as forças, com todas as letras, em capslock, de trás para frente, em inglês ou latim. EU ODEIO. Sou uma ótima companhia para mim mesmo, adoro ficar sozinha, lendo, escrevendo ou fazendo o meu nada. Prefiro me afundar em mim a ter que ouvir gente falando merda ou contando vantagem.

Fernanda Mello

Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono. Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, um alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá.

Fernanda Mello
"Chega de reticências.
Ficar esperando.
Sofrendo.
Contando saudades.
Se o amor não é possível, o melhor é colocar um fim. E ponto."

Fernanda mello

"Hoje acordei inteira. Migalhas? Pedaços? Não, obrigada. Não gosto de nada que seja metade. Não gosto de meio termo. Gosto dos extremos. Gosto do frio. Gosto do quente (depende do momento.) Gosto dos dedinhos dos pés congelados ou do calor que me faz suar o cabelo. Não gosto do morno. Não gosto de temperatura-ambiente. Na verdade eu quero tudo. Ou quero nada. Por favor, nada de pouco quando o mundo é meu. Não sei sentir em doses homeopáticas. Sempre fui daquelas que falam "eu te amo" primeiro. Sempre fui daquelas que vão embora sem olhar pra trás. Sempre dei a cara à tapa. Sempre preferi o certo ao duvidoso. Quero que se alguém estiver comigo, que esteja. Mesmo que seja só naquele momento. Mesmo que mude de idéia no dia seguinte."

Fernanda Mello

"Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Não, não e não. Eu não quero dor. Eu não quero olhar no espelho e ver você escorrer, manchando minha cara bonita."

Fernanda Mello

O lúcido organiza sua loucura, acondiciona o que está solto no ar, interliga várias idéias independentes para que, agarradas umas nas outras, não se dispersem, estejam ao alcance da mente. Quanto mais o lúcido pensa, mais percebe que lucidez plena não existe, o que existe são suposições, algumas até coerentes, e que nos mantêm no eixo. Lúcido é aquele que sabe que lucidez é uma falácia, e não pira com isso.
"E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário...por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência.
E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."

- CaioFernandoAbreu.

"Ela também teve seu coração machucado. Dilacerado, imagino. Normal. Desse mal, meu bem, ninguém escapa. Mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Sim, amei sem limites. Dei meu coração de bandeja. Sim, sonhei com casinhas, jardins e filhos lindos correndo atrás de mim. Mas tudo está bem agora, eu digo: agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama!"

Fernanda Mello

”Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras. Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo. São poucas as pessoas pra quem eu me explico...”

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"E você me olha com essa carinha banal de "me espera só mais um pouquinho". Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta."

[Tati Bernardi]

"Sabe qual é meu sonho secreto? Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia."

(Fernanda Young)
”Eu te amo mais. Impossível. Eu amo o teu mundo. Eu amo teu universo. Amo tudo aquilo que não conhecemos. E eu te amo antes que tudo o que nós não conhecemos existisse. Eu te amo mais do que a mim. Já conheço os passos dessa estrada, e mesmo assim, estarei sempre pronta para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.”

(Fernanda Young)
"O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente."

Fernanda Young
"Tenho medo de terminar sozinha. Tenho medo de ser sempre amiga, irmã e confidente, mas nunca o 'tudo' de alguém."

[Autor Desconhecido]

"Hoje vi o sol nascer e se pôr. Depois vi a lua cheia, cheíssima, nascer também. Lindo. Até bati um papinho com não sei quem, pedindo luz pra mim, pro planeta, pras pessoas."

[Caio F.]

"Colei aquele 'Eu Amo Você' no espelho. É pra mim mesmo." [Caio F.]

Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou.
Pela sua capacidade de me olhar devagar,
já que nessa vida muita gente já me olhou depressa demais.

(Pe. Fábio de Melo)

"Às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. Eu acho que a gente não deve perder a curiosidade pelas coisas: há muitos lugares para serem vistos, muitas pessoas para serem conhecidas."

Caio Fernando Abreu

"Eu não sabia, Senhor, que o mundo era tão vasto e doloroso. E que, desejando a vastidão do mundo, meu coração conheceria também a vastidão da dor. Por que, Senhor meu, permitiste que eu tentasse fugir da minha pequenez? Por que me deste todos esses sonhos muito maiores do que eu?"

Caio Fernando Abreu
“Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige.”

(Clarice Lispector)
“Não quero lembrar. Faz mal lembrar das coisas que se foram e não voltam. (…) Mas a gente nunca pode julgar o que acontece dentro dos outros, só o que se passa dentro de nós.”

(Caio Fernando Abreu)

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível.

Fernando Pessoa
Uma coisa que eu aprendi na vida: Deus não te tira as coisas, Ele te livra delas.

Caio F. Abreu

"Os mais inteligentes são os que se dão conta de que mais vale ter uma mulher incrível ao lado do que uma coleção de biscates."

- Martha Medeiros -

Ela era branca, branca. Dessa brancura que não se usa mais. Mas sua alma era furta-cor.
Mário Quintana

"A monotonia é a morte. A vida está na variedade."

Machado de Assis

"Escuta aqui, cara, tua dor não me importa. Estou cagando montes pras tuas memórias, pras tuas culpas, pras tuas saudades. As pessoas estão enlouquecendo, sendo presas, indo para o exílio, morrendo de overdose e você fica aí pelos cantos choramingando o seu amor perdido. Foda-se o seu amor perdido. Foda-se esse rei-ego absoluto. Foda-se a sua dor pessoal, esse seu ovo mesquinho e fechado." [Caio F.]
Há em você alguma coisa de mim. Alguma coisa que eu vejo e me acalma. Como se eu pudesse deitar de novo no lugar de onde vim, pois só você sabe que lugar é esse. Então você me entende... E eu não me entendo tanto quanto entendo de ti. Talvez isso seja amor. Talvez não. Seja lá o que for, é incondicional."

(Fernanda Young)
”Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem... Mas me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida, e não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar à mercê de visitas adiadas e encontros transferidos.”

(Caio Fernando Abreu)


Conto de fadas

Cazuza

Composição: Cauza e Mauricio de barros

Tudo bem, você se mandou
Não agüentou o peso da barra Que é escolher viver de verdade
Se arregou, parou na metade
Agora vai, vai correndo pra casa
Papai e mamãe tão na sala
Te esperando, tão jantando
É, planejando um futuro normal, que mal!

Princesinha dos cachos de mel
Vai enfim calçar seu sapato
Esquecido num baile... ih
Vai rasgar os meus retratos
E chorar sozinha no quarto
Se lembrando, duvidando
Planejando
Um futuro normal, que mal!

Blues da Piedade

Cazuza

Composição: Roberto Frejat/Cazuza

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas

Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho

Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem

Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Cada dia que passa as pessoas estão percebendo, mais e mais, o quão imperfeita eu sou.
Que bom! Odeio sustentar falsas esperanças.

(Nathália Monteiro)

domingo, 18 de julho de 2010


"Sobe pra cabeça e antes que eu esqueça, enxergo coisas que você não vê..."

Planet Hemp

Os Batutinhas .-.

Espantalho: - Eu não tenho um cérebro... só tenho palha.

Dorothy: - Como você pode falar se você não tem um cérebro?

Espantalho: - Eu não sei... Mas algumas pessoas sem cérebro falam de monte... não é?

Dorothy: - É, eu acho que você está certo.

~ Mágico de Oz ~
”(…) mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.”

Caio F.

”Não faça nada que não te deixe em paz consigo mesma; Esperar não significa inércia, muito menos desinteresse; Renunciar não quer dizer que não ame; Abrir mão não quer dizer que não queira;
O tempo ensina, mas não cura.”


~ Martha Medeiros ~

"Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa. "

Mário Prata

"Ainda assim, naquele instante, eu me senti bem... Inteira!
Pude sentir meu coração batendo no peito, o sangue pulsando quente e rápido por minhas veias de novo.
Meus pulmões encheram-se do doce aroma que vinha da pele dele...
Era como se nunca tivesse havido um buraco em meu peito.
Eu estava perfeita - não curada - mas como se nunca tivesse sido ferida..."

Stephenie Meyer




*O que foi aquele beijo naquela cama? Parecia que não existia mais nada. Eles não estavam ali, não estavam nos observando como se fossemos um espetáculo. Te beijar não é ser espetáculo para ninguém. Te beijar é ser eu e você. É sermos duas línguas se encontrando. Duas almas se descobrindo, ou vice-versa.
Como te disse a minha vontade de te beijar nunca vai passar. Há vezes que ela apenas se esconde, ela tem medo de aparecer. De se mostrar chata como é.

(Nathália Monteiro)

"Vamos deixar para sofrer pelo que é realmente trágico, e não por aquilo que é apenas um incomodo, senão fica impraticável atravessar os dias."

(Martha Medeiros)

"As pessoas que se acham no direito de me julgar dizendo que eu vou para o inferno e elas vão para o céu, de certa forma deixam-me feliz de não estarmos indo para o mesmo lugar."
" Acho que a gente tem que vencer. Ou lutar. E ficar bem. Feliz. Criar. Fazer. Se mexer. Odeio autodestruição...
Não suporto o fracasso deliberado, não suporto a covardia. É meio cruel, mas não suporto."

Caio Fernando Abreu

"Não desista, vá em frente. Sempre há uma chance de você tropeçar em algo maravilhoso. Nunca ouvi falar em ninguém que tivesse tropeçado em algo enquanto estava sentado."

[Caio F.]

"eu e você não acontecemos por uma relação casual, mas por uma relação de significado, que ainda estamos trabalhando."

[Caio F.]

Não sei o que faço, onde fico: tenho muito medo, mas confio em Deus. E apesar do meu medo há em mim uma paz enorme que eu chamo de FELICIDADE.

(Caio Fernando Abreu)
Cada pedaço de mim sabe o inferno que é ser sol em noites de chuva, ser cor nos cinzas dos edifícios, ser luz na escuridão das manhãs.

Cada todo de ti sabe a delícia que é ser flor nas asas do vento, ser cristal nos olhos das fadas, ser azul no fundo do mar.

Cada suspiro de nós sabe a angústia que é ser só um na multidão dos dias, ser muito na pobreza da esquina,
ser ninguém na roda da vida.


(Clarice Lispector)

A maior dor do vento é não ser colorido.

(Mário Quintana)

Versos de orgulho


O mundo quer-me mal porque ninguém

Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!

O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?
O jardim dos meus versos todo em flor ...
A seara dos teus beijos, pão bendito ...

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.

Florbela Espanca


Fiquei tão só, aos poucos.
Fui afastando essas gentes assim menores, e não ficaram muitas outras.
Apenas solidão.

Caio F. Abreu

"Não era bom, nem mau : era apenas perfeito."


Caio Fernando Abreu
"E é por isso que quando ele, a pessoa que eu mais amei no mundo pois amei sem os bloqueios e sem a amargura que veio depois de tanto amor, me pede pra ficar, eu fico."

Tati B.

Cuida de Mim

As pessoas suportam tudo, as pessoas às vezes procuram exatamente o que será capaz de doer ainda mais fundo, o verso justo, a música perfeita, o filme exato, punhaladas revirando um talho quase fechado, cada palavra, cada acorde, cada cena, até a dor esgotar-se autofágica, consumida em si mesma, transformada em outra coisa que não saberia dizer qual era.

-Caio Fernando Abreu-

E sofrerás muito quando resolveres dizer só aquilo que pensas e fazer só aquilo que gostas. Aí sim, todos te virarão as costas e te acharão mal por não quereres entrar na ciranda deles, compreendes?


Caio F.Abreu
Tenho o prazer de me danar e me recompor sózinha.
Nunca precisei de muletas na vida!

Elis Regina

terça-feira, 29 de junho de 2010

E me vejo assim: Sem saída.

Não sei se quero ter saída. Pelo menos agora quero estar aonde estou, do seu lado. As vezes pode me fazer mal, não por sua culpa. Mas o que te faz mal me afeta, e é por isso.
Te olhar nos olhos, e poder te dar aquele abraço foi a melhor coisa que poderia me acontecer naquele dia que nasceu meio obscuro, que foi se prolongando sem Lua. Mas você apenas me abraçou, e apareceu a Lua, linda, e cheia. Ainda bem que foi ela quem apareceu, por que cá entre nós : ela é bem melhor do que o Sol.
E te vejo assim, como a Lua. As vezes escondia, me deixando no escuro. As vezes clareando minha noite, meu dia. Não pense que é ruim ser Lua, que prefere ser Sol. O Sol nos machuca os olhos quando olhamos por muito tempo. A Lua não.
Confesso que pensei em te deixar. Que quis jogar tudo pra alto. Mas como já te disse: não dá!
Fico me perguntando por que quando te vi meu coraçao disparou, e senti um grande alívio. Por que quando sentei de seu lado, senti novamente(?) Queria te agarrar, não soltar. Te prender de baixo das minhas asas, e nunca mais seixar alguém se aproximar. Não sei se elas são sufucientemente grandes para te proteger, mas se não for vou voar mais um pouquinho, me exercitar mais, e ver se elas crescem, até ser suficiente.
Olha, entende que te amo. Que se as vezes estar do seu lado vendo você sofrer é ruim, mas que estar longe será pior ainda. Não quero ser egoísta e fazer você ficar perto apenas para me fazer bem, não é isso. Te quero bem, e o que resolver está resolvido.

(Nathália Monteiro)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

É estranho como algo que me fazia a pessoa mais feliz do mundo pode me fazer tão mal agora. Não queria que você soubesse disso, não é fácil admitir que você estava certa. Você machuca aos outros sim. Não é sua culpa, ou melhor, talvez seja, talvez sinta até prazer nisso. E tenho medo do que possa fazer com isso se souber a verdade. Nunca sei o que esperar de você. Odeio coisas imprevisíveis. Gosto de tudo ao meu controle. Nao te tenho. Odeio.
Você diz pensar em ir, meu primeiro reflexo é de te impedir. Não é esse o melhor. Seria bom te ter longe. "Nem sempre o caminho mais fácil, é melhor que o da dor". Vá ! Logo estarei indo também, não pelo mesmo caminho, mas quem sabe um dia eles possam se cruzar...
Só quero me divertir, e sei que você também, mas não sabemos fazer isso juntas. Talvez seja minha culpa, fui eu que levei tudo para o lado errado, mas foi involuntário. Te peço perdão, mas você não vai aceitar.
Não quero mais sentir isso!
"O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer.." Você não me ama, apenas finge. Morde e assopra.
"Não faz sentido". Nada que tem acontecido tem feito sentido. Pra que essas longas conversas que parecem ser a melhor coisa do mundo, que parecem me completar (?) Se minutos depois parecemos estar num desencontro total. Não presto atenção em certas coisas que você julga importante, me desculpa se as vezes não quero ouvir esse tipo de coisa.
Como sinto inveja deles... Você pelo menos os deseja... À mim? NADA. Todos te querem também. E eu fico auqi, só! Esperando pelo menos um olhar falso... Já não sei mais o que é real em ti, ou o que é inventado por mim ou por você.
"Cortar o mal pela raiz", foi o que aprendi durante essa semana. Devia ter feito isso há muito tempo, mas como sempre : tenho que esperar me ferir para depois tomar um providência.
Vou te deixar! Já está resolvido, pelo menos por enquanto, enquanto não te vejo consigo manter o que está resovido. "Mesmo querendo eu não vou me enganar, eu conheço seus passo, eu vejo seus erros. Não há nada de novo, ainda somos iguais, então não me chame, não olhe para trás". Me dói muito saber que tem que ser assim. Sei que você não vai mudar, e do jeito que tá não pode ficar. Pelo menos EU não posso ficar.
Você é diferente de tudo que já vi. Parece não se importar com nada, nem niguém. Não sei viver assim.
"Meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria". Achei que bastaria para mim, que me completaria, mas não foi o que aconteceu. Achei que bastaria para você mudar, mas depois daquela noite tive mais que certeza que as coisas não são assim...
Você não sabe o que sinto por você. Não sabe o que é amar alguém mais do que à si próprio. E por isso meu amor te incomoda.
Você precisa de espaço. Não está precisando de ajuda nenhuma no momento. Então estou deixando meu time na reserva, se precisar é só chamar, caso contrário eu estarei só observando, e tentando entender como é esse tal "seu jogo"...
Será que sou a única que vê que está tudo errado? Será que sou a única insatisfeita?


*Eu só queria um abraço verdadeiro seu, será que é pedir de mais? Acho que sim. A sinceridade é sempre mais difícil para você.

(Nathália Monteiro)

domingo, 13 de junho de 2010

Carta ao Zézim

Zézim,

cheguei hoje de tardezinha da praia, fiquei lá uns cinco dias, completamente só (ótimo!), e encontrei tUa carta. Esses dias que tô aqui, dez, e já parece um mês, não paro de pensar em você. Tou preocupado, Zézim, e quero te falar disso. Fica quieto e ouve, ou lê, você deve estar cheio de vibrações adeliopradianas e, portantO, todo atento aos pequenos mistérios. É carta longa, vai te preparando, porque eu já me preparei por aqui com uma xícara de chá Mu, almofada sob a bunda e um maço de Galaxy, a decisão pseudo-inteligente.

Seguinte, das poucas linhas da tua carta, 12 frases terminam com ponto de interrogação. São, portanto, perguntas. Respondo a algumas. A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo? Não há que abster-se: há que comer desse banquete. Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai anda”.

Mais: já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz ”Deus é minha última esperança". Zézim, eu te quero tanto, não me ache insuportavelmente pretensioso dizendo essas coisas, mas ocê parece cabeça-dura demais. Zézim, não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.

Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Allan Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentem ente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.

Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.

Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.

Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.

É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na CultUra, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.

Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.

E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.

Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido.

Pausa.

Quanto a mim, te falava desses dias na praia. Pois olha, acordava às seis, sete da manhã, ia pra praia, corria uns quatro quilômetros, fazia exercícios, lá pelas dez voltava, ia cozinhar meu arroz. Comia, descansava um pouco, depois sentava e escrevia. Ficava exausto. Fiquei exausto. Passei os dias falando sozinho, mergulhado num texto, consegui arrancá-lo. Era um farrapo que tinha me nascido em setembro, em Sampa. Aí nasceu, sem que eu planejasse. Estava pronto na minha cabeça. Chama-se Morangos mofados, vai levar uma epígrafe de Lennon & McCartney, tô aqui com a letra de Strawberry fields forever pra traduzir. Zézim, eu acho que tá tão bom. Fiquei completamente cego enquanto escrevia, a personagem (um publicitário, ex-hippie, que cisma que tem câncer na alma, ou uma lesão no cérebro provocada por excessos de drogas, em velhos carnavais, e o sintoma — real — é um persistente gosto de morangos mofados na boca) tomou o freio nos dentes e se recusou a morrer ou a enlouquecer no fim. Tem um fim lindo, positivo, alegre. Eu fiquei besta. O fim se meteu no texto e não admitiu que eu interferisse. Tão estranho. Às vezes penso que, quando escrevo, sou apenas um canal transmissor, digamos assim, entre duas coisas totalmente alheias a mim, não sei se você entende. Um canal transmissor com um certo poder, ou capacidade, seletivo, sei lá. Hoje pela manhã não fui à praia e dei o conto por concluído, já acho que na quarta versão. Mas vou deixá-lo dormir pelo menos um mês, aí releio — porque sempre posso estar enganado, e os meus olhos de agora serem incapazes de verem certas coisas.

Aí tomei notas, muitas notas, pra outras coisas. A cabeça ferve. Que bom, Zézim, que bom, a coisa não morreu, e é só isso que eu quero, vou pedir demissão de todos os empregos pela vida afora quando sentir que isso, a literatura, que é só o que tenho, estiver sendo ameaçada como estava, na Nova.

E li. Descobri que ADORO DALTON TREVISAN. Menino, fiquei dando gritos enquanto lia A faca no coração, tem uns contos incríveis, e tão absolutamente lapidados, reduzidos ao essencial cintilante, sobretudo um, chamado "Mulher em chamas". Li quase todo o Ivan Ângelo, também gosto muito, principalmente de O verdadeiro filho da puta, mas aí o conto-título começou a me dar sono e parei. Mas ele tem um texto, ah se tem. E como. Mas o melhor que li nesses dias não foi ficção. Foi um pequeno artigo de Nirlando Beirão na última IstoÉ (do dia 19 de dezembro, please, leia), chamado "O recomeço do sonho". Li várias vezes. Na primeira, chorei de pura emoção - porque ele reabilita todas as vivências que eu tive nesta década. Claro que ele fala de uma geração inteira, mas daí saquei, meu Deus, como sou típico, como sou estereótipo da minha geração. Termina com uma alegria total: reinstaurando o sonho. É lindo demais. É atrevido demais. É novo, sadio. Deu uma luz na minha cabeça, sabe quando a coisa te ilumina? Assim como se ele formulasse o que eu, confusamente, estava apenas tateando. Leia, me digao que acha. Eu não me segurei e escrevi uma carta a ele dizendo isso. Não sou amigo dele, só conhecido, mas acho que a gente deve dizer.

Escrevendo, eu falo pra caralho, não é?

Aqui em casa tá bom. É sempre um grande astral, não adianta eu criticar. O astral ótimo deles independe da opinião que eu possa ter a respeito, não é fantástico? A casa tá meio em obras, Nair mandou construir uma espécie de jardim de inverno nos fundos, vai ligar com a sala. Hoje estava pUta porque o Felipe não vai mais fazer vestibular: foi reprovado novamente no 3º colegial. Minha irmã Cláudia ganhou uma Caloi 10 de Natal do noivo (Jorge, lembra?), e eu me apossei dela e hoje mesmo dei voltas incríveis pelo Menino Deus(?). Márcia tá bonita, mais adultinha, assim com um ar meio da Mila. Zaél cozinhando, hoje faz arroz com passas para o jantar.

Povos outros, nem vi. Soube que A comunidade está em cartaz ainda e tenho granas pra receber. Amanhã acho que vou lá.

Tô tão só, Zézim. Tão eu-eu-comigo, porque o meu eu com a família é meio de raspão. Tá bom assim, não tenho mais medo nenhum de nenhuma emoção ou fantasia minha, sabe como? Os dias de solidão total na praia foram principalmente sadios. Ocê viu a Nova? Tá lá o seu Chico, tartamudeante, e uma foto muito engraçada de toda a redação — eu com cara de "não me comprometam, não tenho nada a ver com isso". Dê uma olhada. Falar nisso, Juan passou por aqui, eu tava na praia, falou com Nair por telefone, estava descendo de um ônibus e subindo noUtro. Deixou dito que volta dia três de janeiro ou fevereiro, Nair não lembra, pra ficar uns dias. Ficará? E nada acontecerá. Uma vez me disseram que eu jamais amaria dum jeito que "desse certo", caso contrário deixaria de escrever. Pode ser. Pequenas magias. Quando terminei Morangos mofados, escrevi embaixo, sem querer, "criação é coisa sagrada”. É mais ou menos o que diz o Chico no fim daquela matéria. É misterioso, sagrado, maravilhoso.

Zézim, me dê notícias, muitas, e rápido. Eu não pensei que ia sentir tanta falta docê. Não sei quanto tempo ainda fico, mas vou ficando. Quero escrever mais, voltar à praia, fazer os documentos todos. Até pensei: mais adiante, quando já estivesse chegando a hora de eu voltar, você não queria vir? A gente faria o mesmo esquema de novo, voltaríamos juntos. A família te ama perdidamente, hoje pintaram até uns salseirinhos rápidos porque todo mundo queria ler a matéria do Chico ao mesmo tempo.

Let me take you down
cause I’m going to strawberry fields
nothing is real, and nothing to get hung about
strawberry fields forever
strawberry fields forever
strawberry fields forever

Isso é o que te desejo na nova década. Zézim, vamos lá. Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. Let me take you: I’m going to strawberry fields.

Me conta da Adélia.

E te cuida, por favor, te cuida bem. Qualquer poço mais escuro, disque 0512-33-41-97. Eu posso pelo menos ouvir. Não leve a mal alguma dureza dita. É porque te quero claro. Citando Arantes, pra terminar: "Eu quero te ver com saúde I sempre de bom humor I e de boa vontade".

Um beijo do

Caio

sábado, 12 de junho de 2010

Caio Fernando Abreu - Tudo de bom *-*





C.F.A.

"Tenho juízo, mas não faço tudo certo, afinal todo paraíso precisa de um pouco de inferno!"

"Das minhas homossexualidades, esse pânico lento e uma solidão medonha. A hora é tão grave."

"a gente enfeita o cotidiano - tudo se ajeita. Menos a morte."

"Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.(...)
p.s.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E amanhã tem sol. "
"Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim
(...)
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz"

Fiz uma faxina hojee! Nossa, joguei muita coisa fora. Achei muita coisa que me fez lembrar o passado. Coisas que me fizeram sorrir, outras nem tanto. Achei cartas que nem lembrava da existência, e após relê-las me transportaram para um tempo maravilhoso, onde eu só queria saber de "experimentar". Achei outras cartas, bilhetes, que nem tive coragem de abrir, estes me lembram uma fase boa, mas que terminou de um jeito ruim, de um jeito que não deveria ter terminado. Estas cartas me lembram pessoas especiais, pessoas que nem sabem que relmente foram/são especiais.
Uma dessas pessoas é um ex namorada, que gostei muito, mas infelizmente não nos conhecemos no momento certo. Nessa época eu era diferente, não sabia o que era respeito, e para qualquer relação dar certo o primordial é o tal do respeito. Ela não sabe o quanto foi importante, acredita que tudo que lhe disse um dia era mentira, mas não era. Não mesmo. Não costumo mentir sobre meus sentimentos, não acho certo iludir as pessoas, pois essas, como nós, são ingenuas, e acreditam. Eu queria, hoje, poder ligar para ela e dizer tudo isso, dizer o quanto é especial para mim, dizer que tudo que disse era verdade, mas que com o tempo passou, como tudo que existe. Eu a amei muito, mas não era o amor, dito, puro, que nos faz mudar, que nos faz perder o interesse por qualquer outra pessoa que apareça na nossa frente; era só amor. Mas não posso procurá-la, ela não me ama mais, não quer nem ouvir meu nome. Odeio isso. Mas nem tudo é como a gente quer, não é mesmo? Por isso espero, que um dia nos falemos de novo, ou que ela entre aqui, leia tudo isso, e perceba que é para ela.
"- Não é saudade, porque para mim a vida é dinâmica e nunca lamento o que se perdeu - mas é sem dúvida uma sensação muito clara de que a vida escorre talvez rápida demais e, a cada momento, tudo se perde."


Hoje mudei, é estranho, sei que é. Tem gente que não acredita, não me importo. Eu sei que mudei, e isso que importa. Sei o que significa Amor, mas estou falando de Amor Puro, aquele que a gente não precisa nem beijar a pessoa amada pra saber que realmente a ama, e se gosta do seu beijo. Você lembra, mesmo que muito tempo sem, exatamente do beijo dela, de cada movimento que a língua dela fez, de cada coisa que passou pela sua cabeça quando se beijaram- naquele dia que estavam um pouco lúcidas de mais. Eu acho tão estranho isso. As vezes tenho medo de tudo isso, tudo que sinto, ser uma mentira, uma ilusão da minha cabeça. Juro que tem horas que rezo pra realmente ser. Por que você não tem noção do quanto é ruim não desejar outras pessoas, de alguém chegar bem pertinho do seu rosto, e você não ter coragem de beijar. Como já disse antes, não sei por quanto tempo vou ficar assim, mas agora estou assim. É bom estar assim, mas ao mesmo tempo tenho medo do momento em que isso vai mudar, por que eu sei que vai. Tenho medo de que você possa não entender que as coisas mudam, e que isso não significa que elas não existiram. Medo que ache que tudo que eu disse era mentira. Não é. É tudo verdade, pelo menos no momento em que saem da minha mente, passam pela minha boca e chegam aos seus ouvidos.
"Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco... "

(Nathália Monteiro)
"porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência."

(C.F.A.)
"A vida é agora, aprende. Ainda outra vez tocarão teus seios, lamberão teus pêlos, provarão teus gostos. E outra mais, outra vez ainda. Até esqueceres faces, nomes, cheiros. Serão tantos. O pó se acumula todos os dias sobre as emoções"
"E se eu mudasse meu destino num passe de mágica? (...) Estranho, mas é sempre como se houvesse por trás do livre-arbítrio um roteiro fixo, pré-determinado, que não pode ser violado."